» Li-o e reli-o - e, de facto, não fica muito por dizer. A sensação que se perde, o culto da saúde, qual religião dos tempos modernos, a busca inconfessada de uma imortalidade ardentemente desejada. Está tudo neste texto. Recordo-me de ler alguns textos seus sobre estes temas na Maxmen. Creio que foi com essas pequenas crónicas que pensei pela primeira vez nestes assuntos. Resta-me apenas dizer que para mim, este será, efectivamente, um dos textos do ano. Cumprimentos.
João Campos
» Tenho seguido razoavelmente a escrita, a biografia e o contexto dos Waugh (incluindo as escolhas enológicas do tio Auberon, enquanto saudosamente duraram na Spectator). Assumindo que em cada artista (ou alguém com ganas de compor, pintar ou escrever ou ser actor) há uma «falha» (no sentido duma racha imperceptível na cerâmica), sempre defendi a teoria que a do Waugh Pai era a eagerness incontrolável depertencer à Upper Class/Aristocracia (hélas, estar mesmo às portas, em Inglaterra, não chega). E, mais arriscadamente, é a indiferença paterna que constitui a «racha» do Waugh Filho. (Se bem que um escritor filho de escritor tenha que ser sempre alguém em diálogo permanente e subterrâneo com o pai, veja-se o livro sobre Estaline que Martin escreve «contra» o namoro estalinófilo do pai Kingsley). É terrível pensá-lo mas talvez tenha sido a carência afectiva do filho perante um pai «formidável» e distante que nos deu a uniqueness do Tio Auberon. (As minhas desculpas pelo name-dropping (such a bore!) mas não é que meocorre que se passa com os Clark os mesmo que com os Amis, a frieza emocional dum Kenneth produziu a arrogância criativa dum Alan?). Divagações. Mas divagações que dão pica.
Jorge Ryder
CARO JORGE: Sobre os Waugh, escrevi tese aparentada no último número da Nova Cidadania. Abraço.
Caro João, estou consigo: abomino desporto, tremo quando passo em frente de health clubs (passo ao largo, evidentemente), irrita-me o culto do físico, a pose imaculada de pecadores redimidos, de cristãos novos («born again?»). Ninguém - jamais - conseguirá convencer-me que aquilo não faz um mal terrível à saúde. Contra qualquer outro exercício que não o zapping e o mappling, marchar sempre ! (marchar em sentido figurado, claro).
Duarte Alves