DE ACORDO COM O THE OBSERVER, rola em Inglaterra um projecto educacional que merece duas linhas de reflexão. Elaborado pelo Qualifications and Curriculum Authority, o projecto pretende inserir, no quadro da educação religiosa indígena, o estudo do ateísmo, do agnosticismo, do humanismo e, muito compreensivelmente, do ambientalismo. A ideia, segundo os autores do projecto, é mostrar aos petizes britânicos que, para lá das religiões «tradicionais» (leia-se «cristã», «judaica» e «islâmica»), existe todo um mundo de crenças, ou não-crenças, que merece igual estatuto e igual reverência. Eu acho bem. Mais: acho bem e solicito às autoridades britânicas maior generosidade no currículo. Se a escola elege como educação religiosa formas de descrença na divindade, seria de incluir outros tipos de adoração pessoal que, nos tempos correntes, foram ocupando o espaço das teologias clássicas. Como o masoquismo, o bestialismo e mesmo o filistinismo, que grassa com particular virulência nas sociedades contemporâneas. Aliás, para sermos realmente tolerantes, seria aconselhável estimular qualquer aluno a elaborar o seu próprio credo. O aluno seria convidado a adorar um texugo – ou um repolho – com igual respeito e devoção, explicando aos demais que o texugo – ou o repolho – possui um estatuto que não deve ser marginalizado pela cultura religiosa tradicional. No espaço de algumas gerações, teríamos um sistema politeísta que, abrangendo Deus e o repolho, produziria uma sociedade mais humana, mais culta e incomparavelmente mais tolerante.